CASACOR Brasília 2026 – Brasilidade é algo que se expressa de várias formas. Às vezes, ela aparece na escolha de uma pedra, na madeira, no artesanato, em uma textura que lembra a matéria bruta e, principalmente, na maneira como tudo isso é reunido para criar uma casa com vontade de ser vivida.
E num país de dimensões continentais, muita riqueza e diversidade, essa brasilidade mais madura, elegante e afetiva, e referenciada pela cultura nordestina é o que a arquiteta Daiana Pontes levou para a CASACOR Brasília 2026 com o ambiente Alma Brasileira.
Integrado, com sala de estar e sala de jantar ocupando os 71,55 m² do espaço, o projeto acompanha muito bem a proposta desta 34ª edição da mostra, que tem como tema “Mente e Coração” e acontece na Casa do Candango, patrimônio afetivo de Brasília construído em 1977.

Em meio a um conjunto de 40 ambientes assinados por 52 profissionais, Daiana criou um espaço para conviver, receber, descansar e estar junto, com uma arquitetura que valoriza a passagem do tempo, o conforto e a relação com os materiais.


A escolha da paleta já conta um pouco dessa história. Tons neutros e terrosos, madeira, pedra natural, tecidos de toque agradável e peças de artesanato brasileiro formam uma composição acolhedora, sofisticada e muito ligada ao jeito despojado e natural do nordestino morar. Sempre com elegância.
As mesas em quartzito, desenhadas especialmente pela arquiteta para a mostra, as luminárias de pedra feitas sob medida e a curadoria de objetos autorais completam o ambiente sem tirar dele a sensação de casa.
E, no meio dessa composição, há uma escolha da Nina Martinelli que merece ser olhada com atenção.
Quando o piso sobe pela parede
O Due Vecchio Affiorato Grigio 7×7 cm, em placas de 28×28 cm, foi usado em parte do piso da Alma Brasileira e, em um movimento elegante, ele sobe pela parede de fundo da marcenaria, criando uma continuidade visual.
É um daqueles recursos que fazem a gente perceber como a escolha de um revestimento pode participar diretamente do desenho de um ambiente. Em vez de ficar restrita ao piso, o acabamento acompanha a arquitetura, ajuda a delimitar a área da marcenaria e cria um pano de fundo que conversa com os móveis, com a madeira, com as pedras e com a iluminação quente.

O tom Grigio, um acinzentado delicado e cheio de nuances, cria uma base neutra para os elementos de madeira e para as peças de artesanato, enquanto o desenho quadriculado das placas acrescenta ritmo sem deixar a composição pesada nem monótona, pois a superfície não é perfeitamente uniforme.
O Due Vecchio Affiorato é feito em base argilosa, com peças moldadas manualmente por técnicas que produzem áreas de afloramentos orgânicos e sombreamentos naturais. Depois, passa por um cuidadoso processo de cura e maturação, responsável por criar delicadas diferenças visuais e de textura.
É justamente esse tipo de variação que combina tão bem com a proposta de Daiana Pontes. O revestimento tem um aspecto que lembra uma matéria encontrada, trabalhada pelo tempo e pelas mãos, mas aparece em uma composição contemporânea, muito bem desenhada e sofisticada.
Uma brasilidade que aparece na matéria
O nome Alma Brasileira poderia levar o projeto para muitos caminhos, mas Daiana Pontes escolheu uma interpretação mais delicada e muito mais interessante: falar do Brasil por meio daquilo que expressa o país, o que é produzido, criado e levado para dentro das casas.
O artesanato está nos objetos, a pedra aparece nas mesas e luminárias, a madeira aquece a composição e a cerâmica natural acrescenta uma camada de textura que aproxima o ambiente da matéria.
O Due Vecchio Affiorato Grigio participa desse conjunto justamente por carregar características que não precisam de muita explicação. Sua fabricação manual, os afloramentos, as pequenas diferenças de superfície e o tom acinzentado fazem com que cada placa tenha uma leitura própria quando recebe a luz.
Um ambiente para viver com calma
A Alma Brasileira foi pensada para convivência, e isso aparece no modo como os espaços se relacionam. Não há uma separação rígida entre estar e jantar, o que permite que as pessoas circulem, conversem e ocupem o ambiente de maneiras diferentes.
A iluminação mais quente reforça a sensação de acolhimento, enquanto os tecidos, as fibras, a madeira e a pedra acrescentam diferentes experiências ao toque e ao olhar. As peças de artesanato também ajudam a dar ao espaço uma identidade que não depende de excessos.
O acabamento da Nina se encaixa muito bem nesse pensamento, especialmente quando apresenta suas pequenas diferenças em vez de tentar esconder aquilo que existe de particular em cada peça.
No ambiente Alma Brasileira, o Due Vecchio Affiorato Grigio faz exatamente isso. Traz para o piso e para a parede uma matéria de aparência ancestral, mas inserida em uma arquitetura atual, elegante e muito bem resolvida.
Uma escolha que ajuda a fazer deste ambiente da CASACOR Brasília 2026 um lugar gostoso de olhar, mas principalmente um lugar que parece ter sido pensado para ficar.
Serviço
CASACOR Brasília 2026
34ª edição
Tema: “Mente e Coração”
Ambiente: Alma Brasileira, sala de estar e jantar integrada
Produto: Due Vecchio Affiorato Grigio 7×7 cm, em placas de 28×28 cm
Projeto e execução: Daiana Pontes
Instagram: @arq.daianapontes
Local: Casa do Candango, SGAS 603 Sul, Brasília, DF
You may also like
-
CASACOR Tocantins 2026 – cerâmica natural da Nina Martinelli reforça a ancestralidade da Cápsula Mãe
-
CASACOR ES – Due Vecchio Anciano Nero, cerâmica criando atmosfera no Estar Pulsar
-
Lazer e conforto como parte da rotina, e não só em dias especiais, em casa no MS
-
Paraíso particular – Cerâmica natural Linea Scortese como protagonista numa reforma
-
Um oásis de frescor no interior paulista – Linha Verano traz conforto e beleza a entorno de piscina
