A força da cerâmica e delicadeza das mãos que a trabalham – Due Vecchio Terracota em mostra em Belo Horizonte

A força da cerâmica – Mostras de arquitetura, design, decoração, em geral estão entre as melhores oportunidades para antecipar tendências, consolidar estilos. A Modernos Eternos Belo Horizonte 2026 conseguiu fazer algo ainda mais interessante: colocou passado e presente para conversar no mesmo ambiente, dentro de um edifício que já faz parte da memória da cidade.

Realizada entre 16 de junho e 12 de julho, em sua 11ª edição, a mostra ocupou a centenária Escola Estadual Pedro II, reunindo 40 ambientes assinados por 45 profissionais. O desafio era instigante. Cada espaço precisava combinar mobiliário e objetos históricos com elementos contemporâneos, demonstrando que diferentes épocas podem coexistir de maneira natural quando o projeto tem conceito e sensibilidade.

Foi nesse contexto que o escritório 2 Quartos Arquitetura, das arquitetas Natália Villela e Victória Perdigão, apresentou o Ateliê da Ceramista, um dos ambientes que melhor traduziram a essência da mostra.

Um espaço ao qual ninguém conseguiu ficar indiferente. O olhar percorre a estante iluminada, encontra peças artesanais, formas orgânicas, texturas e uma paleta acolhedora. Tudo conduz a uma atmosfera que remete ao tempo dedicado ao fazer manual, à experimentação e ao prazer de criar sem pressa.

Mais do que reproduzir um ateliê, o projeto buscou transmitir a experiência da cerâmica como expressão artística e cultural. Afinal, poucos materiais conseguem representar tão bem a ligação entre tradição e contemporaneidade. Presente há milhares de anos na história da humanidade, a cerâmica continua despertando interesse justamente porque atravessa gerações sem perder relevância.

Essa ideia aparece tanto nos objetos produzidos pela Origem Ateliê quanto na própria arquitetura do espaço.

O ‘DNA cerâmico’ da Nina Martinelli presente!

Foi aí que o Due Vecchio Terracota 4×8 cm, da Nina Martinelli, encontrou um cenário perfeito para revelar sua personalidade.

O modelo é apresentado em facetas de ‘tijolinhos’ em cerâmica natural, que leva materiais reciclados em sua composição e passam por processo duplo de queima conferindo às peças uma textura rústica e rica em nuances e pontilhados alternando cores terrosas e claras, e de aspecto orgânico.

É disponibilizado nas dimensões 7x7cm em placas de 28x28cm, 7x13cm em placas de 13x28cm e 4x8cm em placas de 8x28cm, a medida escolhida para esse belíssimo ambiente. O revestimento pode ser aplicado em áreas internas e externas.

Aplicado nas paredes e no teto da estante, o revestimento criou um fundo que valoriza cada peça exposta, mas sua participação vai muito além da composição estética. A textura, as pequenas variações entre as peças e o aspecto artesanal reforçam exatamente a mensagem que o ambiente pretendia transmitir: em um mundo cada vez mais industrializado, materiais produzidos com cuidado, técnica e atenção aos detalhes continuam despertando emoção.

                     

Essa escolha também dialogou com a própria história da Nina Martinelli. Cada peça carrega um processo produtivo que respeita o trabalho manual, preserva características únicas e valoriza a imperfeição como atributo de beleza. Não se trata apenas de revestir uma superfície, mas de acrescentar identidade ao projeto.

“A escolha desse material específico veio para reforçar a ideia do artesanal. Em uma era tão industrializada, escolher uma empresa que ainda valoriza o trabalho manual, o respeito com cada peça produzida e ver a proximidade e afeto que esse ato carrega, era essencial para reforçar o nosso conceito”, explicam as profissionais do escritório arquitetônico.

Diálogo com o prédio histórico

Outro aspecto interessante foi a conversa estabelecida entre o Due Vecchio Terracota e a arquitetura neocolonial da Escola Estadual Pedro II. Projetado por Carlos Santos e inaugurado em 1926, o edifício é um dos símbolos da arquitetura do início do século XX em Minas Gerais. Suas referências históricas encontraram, no revestimento cerâmico, um elemento igualmente carregado de memória, mas perfeitamente integrado a uma linguagem contemporânea.

O resultado foi um ambiente acolhedor, sensorial e elegante, onde a iluminação, os volumes, as peças artesanais e o revestimento cerâmico se complementam naturalmente. Nada parece competir pela atenção. Cada elemento ajuda a construir uma narrativa que convida o visitante a observar os detalhes, perceber as texturas e compreender que materiais feitos com autenticidade permanecem atuais independentemente da época.

Participar de projetos como esse reforça uma convicção que acompanha a Nina Martinelli há mais de duas décadas: tendências passam, mas materiais produzidos com qualidade, personalidade e respeito ao fazer artesanal continuam encontrando espaço na boa arquitetura.

O Ateliê da Ceramista encerrou sua participação na Modernos Eternos Belo Horizonte deixando exatamente essa impressão. Quando história, criatividade e matéria-prima caminham juntas, o resultado dificilmente fica restrito ao período de uma mostra.

 

Serviço

A força da cerâmica – Sala da Ceramista 

Mostra Modernos Eternos – BH

Junho/Julho 2026

Produto: Due Vecchio Terracota 4x8cm – placas de 8x28cm

Projeto: Natália Villela e Victória Perdigão

Escritório:  2 Quartos Arquitetura

Instagram: @2quartosarquitetura

Fotos: Isa Maiolini e Gustavo Xavier

Instagram: @isamaiolini @gustavoxavierfotografia

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *