Do passado ao presente – Reformar uma casa dos anos 1960 é sempre um exercício de escuta. Escutar o que a arquitetura original pede, o que o tempo deixou de bonito e o que a vida atual exige de novo.
E foi exatamente isso que aconteceu nessa bela casa no bairro Floresta, em Belo Horizonte. Uma daquelas casas cheias de memória, com cômodos amplos, janelas originais generosas, grades ornamentais cheias de desenho, armários embutidos de madeira ainda firmes, e um bom quintal nos fundos, daqueles que pedem para virar o coração da casa.
A missão de trazer esse imóvel de volta à vida foi entregue à arquiteta Lorena Soares. O pedido dos clientes a ela era claro: transformar o quintal em uma área gourmet acolhedora, sem apagar a alma da construção. E aí entra uma decisão que muda tudo numa reforma como essa: o piso.
Antes, o espaço tinha ardósia na parede do fundo, telhado baixo de amianto e ardósia também no piso. Tudo escuro, pesado, pouco convidativo. A solução começou pelas paredes.
As superfícies antigas foram cobertas com tijolinho de olaria clarinho, assentado por cima mesmo, uma escolha inteligente que economiza tempo, reduz resíduos e ainda cria aquele efeito lindo de tijolo aparente no espaço coberto.
O telhado também precisava respirar. O amianto deu lugar a uma estrutura de madeira, com altura adequada e telhas cerâmicas brancas, trazendo mais conforto térmico e visual. Mas foi no piso que o projeto encontrou sua assinatura mais sensível.
Um ‘pátio’ convidativo como antigamente
A ardósia saiu de cena para dar espaço à cerâmica natural Scortese Rosso, da Nina Martinelli. A famosa “lajotinha”, feita de cerâmica natural, que conjuga beleza, versatilidade e resistência como poucas.
Produzida artesanalmente, peça a peça, ela tem esse poder raro de nos transportar. Lembra quintais, pátios, terraços e varandas de antigamente, mas conversa perfeitamente com os espaços contemporâneos, acolhedores, rústicos e cheios de personalidade.
Lorena ousou especificando o modelo em duas dimensões, 11,5 x 24 cm e 11,5 x 11,5 cm, criando uma paginação criativa que remete à escama de peixe nas áreas mais planas. Um desenho que não é óbvio, mas também não grita. Ele conduz o olhar, aquece o ambiente e dialoga lindamente com o tijolo aparente.
Na escada que leva ao patamar mais alto, a paginação muda. As lajotas entram alinhadas verticalmente, e um detalhe faz toda a diferença: os degraus e laterais da escada também são revestidos com a cerâmica.

Já os espelhos dos degraus ganharam um toque absolutamente afetivo. O próprio cliente garimpou azulejos antigos decorados em um verdadeiro “cemitério de azulejos” e escolheu usá-los ali. Um gesto que imprime história, memória e participação direta na obra. “E sim, isso enriquece ainda mais qualquer projeto”, afirma Lorena.
Nas laterais da escada e de um banco de concreto, com assento em granilite, e também na estrutura que funciona como floreira ou minijardim, a paginação escolhida foi a alinhada horizontal.
O encontro do granilite com o tom avermelhado da lajotinha Scortese Rosso é daqueles que surpreendem pela simplicidade e pela força. Concreto e cerâmica conversando sem disputa, cada um valorizando o outro.
Para completar, o espaço ganhou ainda mais vida com uma ducha externa, instalada sobre um painel de pastilhas quadriculadas. Um detalhe que parece pequeno, mas transforma completamente a experiência do lugar. A área gourmet deixa de ser só cenário e passa a ser vivida.
A lajotinha em cerâmica natural Scortese Rosso em uma reforma como essa é defender escolhas que fazem sentido. É entender que materiais não são apenas acabamento. Eles contam histórias, criam atmosferas e constroem pertencimento. Em uma especial assim, não poderia ser diferente. Nessa obra, a lajotinha não é tendência. Ela é continuidade. Ela é memória atualizada. Ela é casa.

Serviço:
Do passado ao presente – Reforma de casa dos anos 1960 em Belo Horizonte – renovação do quintal e área gourmet
Produto: cerâmica Scortese Rosso 11,5×24 e 11,5×11,5cm
Projeto: Lorena Soares
Instagram: @lore.arquitetura
Imagens: vídeo de acervo do escritório
You may also like
-
Um espaço de autenticidade: o novo escritório de Marcos Lula, com acabamentos Nina Martinelli
-
Conexão com o natural – Brick Allineato Algodão traz harmonia e acolhimento a residência em Minas Gerais
-
Transformação de impacto – fachada ganha destaque com o Cobogó Brise Clair & Sombre
-
Projeto autoral – Gardênia, elegância atemporal do revestimento Nina que dá alma aos espaços
-
Ambiente como posicionamento – Due Vecchio Anciano Areia, revestimento que transformou espaço em experiência
