Três produtos Nina, uma só linguagem – Um retrofit é uma das missões mais complexas e sensíveis que podem ser entregues a um escritório de arquitetura. Ainda mais quando se trata de um retrofit em uma casa, pois, algumas residências não pedem ruptura.
Pedem leitura atenta, repertório técnico e, acima de tudo, responsabilidade com o que já existe. A Residência JAÓ, em Goiânia, é um desses projetos em que a arquitetura nasce menos do impulso de transformar e mais da capacidade de compreender.
Não à toa, retrofit é o processo de atualização e requalificação de uma construção existente, no qual a estrutura original é preservada enquanto sistemas, acabamentos e soluções técnicas são modernizados.
Diferente de uma reforma comum, ele parte de um olhar mais estratégico, que combina diagnóstico técnico, valorização da memória do imóvel e melhorias de desempenho, como conforto, segurança e eficiência, sem descaracterizar a essência da arquitetura original.
Assinado pelo Cristiano Lemes Studio (@cristianolemesstudio), com coautoria da arquiteta Sofia Vandenberghe e suporte técnico dos engenheiros Ana Cristina Rodovalho Reis e Gustavo Reis Campos, o retrofit realizado entre 2017 e 2019 revela uma prática rara.
Projeto e obra caminharam juntos, com decisões sendo ajustadas no canteiro, em diálogo constante entre diferentes saberes. Não houve hierarquia rígida entre desenho e execução. Houve troca, escuta e refinamento contínuo.
Desde a primeira visita técnica, ficou evidente que a casa, construída nos anos 1980 e modificada ao longo do tempo, carregava marcas importantes demais para serem apagadas.
Vestígios de usos, ampliações, escolhas anteriores e, principalmente, da própria história das moradoras. A resposta do escritório foi clara: em vez de substituir, alinhar. Em vez de contrastar, integrar.
Esse raciocínio orienta inclusive a escolha dos materiais. E três produtos em cerâmica natural da Nina Martinelli entram no projeto como extensão de uma linguagem que já existia, reforçando a materialidade terracota que se mostrou central desde o início das investigações.
Na entrada, o Linea Scortese Rosso 24x24cm estabelece uma base firme e elegante. Seu formato quadrado, de leitura atemporal, permite paginações variadas, mas aqui aparece conduzindo o olhar com equilíbrio, criando uma sensação de continuidade e amplitude logo no acesso principal. A escala das peças organiza o espaço sem fragmentar, enquanto a tonalidade se integra naturalmente aos elementos já presentes.

Em diálogo direto, a Línea Scortese Rosso 11,5x24cm introduz um ritmo mais dinâmico. Seu formato retangular remete às tradicionais lajotas de quintais e varandas, trazendo um charme que é ao mesmo tempo afetivo e funcional.
A ‘lajotinha’ alia resistência e versatilidade, o que permite seu uso em áreas de maior circulação e também nas transições entre interior e exterior. Na Residência Jaó, ela cumpre exatamente esse papel, costurando percursos e aproximando arquitetura e paisagem. E essa relação com o entorno é um dos pontos mais bem resolvidos do projeto.

A relação com o verde
As áreas verdes não foram tratadas como complemento, mas como parte estruturante da proposta. Árvores e espécies já existentes foram preservadas e, em muitos casos, incorporadas ao desenho. A paginação dos pisos respeita esses elementos, contorna, se adapta. Não há imposição geométrica sobre o natural. Há convivência.
No fundo do terreno, essa lógica se intensifica. A remoção de um contrapiso rígido para recuperar a permeabilidade do solo não foi apenas uma decisão técnica, mas também uma escolha de projeto que reconecta a casa à terra. Nesse espaço, os revestimentos passam a atuar de forma mais pontual, criando caminhos e áreas de permanência sem bloquear o terreno.
É ali que a borda de piscina Rosso 11,5x24cm se destaca. Aplicada no terrapleno do spa e em áreas molhadas, resolve com precisão o escoamento da água e o acabamento das bordas.
A naturalidade da cerâmica marcada por variações de tonalidade decorrentes do processo de queima, contribui para um resultado menos uniforme e mais autêntico. Além disso, o leve abaulamento das peças melhora o contato com o corpo, um detalhe técnico que reforça o conforto no uso cotidiano.
Esse tipo de decisão revela muito sobre a atuação do Cristiano Lemes Studio. Há um domínio claro da técnica, mas também um interesse genuíno pela experiência sensorial dos espaços. O projeto não se limita ao que se vê. Ele considera o toque, o percurso, a permanência.
“As próprias clientes foram fundamentais para esse resultado. Com forte vínculo afetivo com a casa, rejeitaram abordagens que sugeriam apagamento ou simplificação excessiva. O escritório respondeu com um projeto que reorganiza sem descaracterizar, criando uma espécie de expografia doméstica onde materiais, objetos e memórias convivem de maneira coerente”, diz ele.
“Os produtos da Nina Martinelli se inserem nesse contexto com precisão. Não se destacam de forma isolada, mas qualificam o conjunto, ampliando a leitura de continuidade e reforçando a identidade do projeto”, afirma.
A Residência Jaó demonstra, com clareza, o valor de uma arquitetura que sabe intervir sem interromper. Um trabalho em que técnica, sensibilidade e colaboração se encontram para construir algo que não parece novo, mas que, justamente por isso, se mantém atual.
Vale ressaltar que os produtos da Nina Martinelli foram adquiridos para esta obra na revenda parceira Vivá Revestimentos, de Goiânia, especializada em acabamentos de alta qualidade para os mais exigentes projetos.
Serviço:
Três produtos Nina, uma só linguagem – retrofit em residência da década de 1980, em Goiânia
Produtos:
Linea Scortese Rosso 24x24cm
Línea Scortese Rosso 11,5x24cm
Borda de Piscina Rosso 11,5x24cm (e borda Plana /Pingadeira Rosso 11,5x24cm para acabamento de um degrau).
Projeto: Cristiano Lemes Studio
Instagram: @cristianolemesstudio
Coautoria: arquiteta Sofia Vandenberghe e suporte técnico – engenheiros Ana Cristina Rodovalho Reis e Gustavo Reis Campos
Imagens: Acervo do escritório
Revenda parceira – Vivá Revestimentos – Goiânia
Instagram: @vivarevestimentos
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